
Corrida de toras-Krahô acima e Kayapo abaixo(Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros-Fotos de Rodrigo Lima)APINAJÉ
Localização: Tocantins
População estimada de 1.600 pessoas
São os anfitriões do I° Encontro. Os Apinajes são considerados como Timbira Ocidentais e caracterizam-se por uma sofisticada organização social, composta por vários sistemas de metades cerimoniais e aldeias relativamente populosas. Na segunda metade do século XX, porém, sofreram uma grande perda de população e desestruturação social, quando seu território foi invadido por centenas de famílias de migrantes e tiveram suas terras cortadas por estradas, como a Belém-Brasília e a Transamazônica. O traçado desta influenciou a exclusão de uma parcela de seu território tradicional na demarcação oficial de sua terra, a qual eles vêm buscando recuperar.
SUYÁ - KISÊDJÊ
Localização: Parque Nacional do Xingu
População estimada: 400 pessoas
Os Kisêdjê constituem o único grupo de língua Jê que habita o Parque Indígena do Xingu. Mas desde sua chegada na região (provavelmente na segunda metade do século XIX), seu contato com outros povos xinguanos e, principalmente, com aqueles da chamada área cultural do Alto Xingu, ocasionou a incorporação de muitos costumes e tecnologias alheias. Entretanto, jamais abriram mão de sua singularidade cultural, cujo principal emblema pode ser reconhecido num estilo particular de canto ritual, expressão máxima das individualidades e do modo de ser da sociedade Kisêdjê. Até algumas décadas atrás, outro marco diferencial do grupo eram os grandes discos labiais e auriculares que, mais do que ornamentos, apontavam a importância do cantar e do ouvir para esse povo.
PANARÁ
Localização: Mato-Grosso
População estimada: 700 pessoas
Os Panará, também conhecidos como Krenakore, foram oficialmente contatados em 1973, quando a estrada Cuiabá-Santarém estava em construção e cortava seu território tradicional na região do Rio Peixoto Azevedo. A violência do contato ocasionou morte de 2/3 de sua população, em razão de doenças e massacres. À beira do extermínio, em 1975 foram transferidos pela Funai para o Parque Indígena do Xingu. Depois de 20 anos exilados, os Panará reconquistaram o que ainda havia de preservado em seu antigo território, onde construíram uma nova aldeia. Além dessa vitória, alcançaram um feito inédito na história dos povos indígenas e do indigenismo brasileiro, quando em 2000 ganharam nos tribunais, contra a União e a Funai, uma ação indenizatória pelos danos materiais e morais causados pelo contato. Tal vitória, se não lhes apaga as tristes marcas de sua história, projetam-lhes para um futuro mais digno.
XAVANTE – A’WÊN
Localização: Mato Grosso
População estimada: 14.000 pessoas
Os Xavante tornaram-se famosos no Brasil em fins da década de 1940, com a massiva campanha que o Estado Novo empreendeu para divulgar sua “Marcha para o Oeste”. A campanha promoveu a equipe do SPI (Serviço de Proteção aos Índios) por seu trabalho de “pacificação dos Xavante.” No entanto, o grupo local que foi “pacificado” pelo SPI em 1946 constituía apenas um dentre os diversos grupos xavante que habitavam o leste do Mato Grosso, região que o Estado brasileiro então procurava franquear à colonização e à expansão capitalista. Na versão Xavante, é importante notar, foram os “brancos” os “pacificados”. De meados da década de
Os agentes do contato e as maneiras como este se deu influenciaram os grupos xavante de distintos modos. Crenças e práticas religiosas, bem como algumas instituições sociais e práticas cerimoniais foram afetadas, em especial entre aqueles que travaram contato com missionários, sejam eles católicos ou evangélicos. Apesar desses impactos, a Cultura Xavante continua a se manifestar com extrema vitalidade, sendo retransmitida de geração em geração através da língua e de inúmeros mecanismos sociais, cosmológicos e cerimoniais. Para além de algumas diferenças notadas pelos etnógrafos entre os diversos grupos locais xavante por conta das referidas experiências distintas de contato, a língua comum, os padrões de organização social e instituições, as práticas cerimoniais e a cosmologia definem os Xavante como uma totalidade social. Suas comunidades, contudo, são politicamente autônomas, ainda que às vezes se unam para atingir objetivos comuns.
XERENTE
Localização: Tocantins
População estimada: 2.600 Pessoas
Os 250 anos de contato dos Xerente com não-indígenas não afetaram sua identidade étnica. As rápidas e intensas transformações sociais, políticas e econômicas que atingem a região na qual residem têm proporcionado a esse povo, não sem dificuldades, uma participação ativa nos processos decisórios que os envolvem. No olho do furacão do desenvolvimento econômico do Estado do Tocantins, os Xerente continuam a expressar, por outras vias, o que possuem de mais tradicional: seu ethos guerreiro.
XOKLENG
Localização: Santa Catarina
População estimada: 900 Pessoas
Os índios Xokleng da TI Ibirama
CANELA
Localização: Maranhão
População estimada: 2.500 pessoas
Canela é o nome pelo qual ficaram conhecidos dois grupos Timbira: os Ramkokramekrá e os Apanyekrá. Há diferenças significativas entre esses grupos vizinhos, mas ambos falam a mesma língua e são pautados pelo mesmo repertório cultural. Até a década de 1940, os Ramkokamekrá tinham menor contato com a sociedade nacional e com outros grupos indígenas do que os Apanyekrá. Depois disso, a situação inverteu-se. Não obstante, atualmente ambos grupos têm sofrido uma forte interferência por parte de algumas agências de contato, como Funai, fazendeiros e missionários. Em contrapartida, têm procurado reaver a autonomia de suas atividades produtivas e manter sua vitalidade cultural, expressa por uma complexa vida ritual, práticas xamânicas e intrincada organização social.
GAVIÃO – PYKOBIÊ
Localização: Maranhão
População estimada: 450 Pessoas
“Somos muito abandonados de recursos e a pressão em torno da nossa área é muito grande. Os jovens estão cada vez mais querendo sair para a cidade atrás de qualquer dinheirinho e voltam com muitos vícios e sem respeitar e valorizar mais os nossos costumes e o nosso modo de viver. Mas procuramos manter ainda muito viva a nossa cultura, pois ainda conseguimos realizar algumas das nossas festas, continuamos falando a nossa língua, furando a orelha, fazendo casamentos como manda a tradição. Nós já passamos por muita dificuldade, nosso povo quase foi acabado, mas agora estamos crescendo de novo e a nossa preocupação principal é como manter o nosso povo unido, sem ter que se espalhar para viver na cidade ou em outras aldeias. Para nós, a nossa união é reforçada, é vivida através das nossas festas, é quando as crianças e jovens aprendem quem é quem dentro da aldeia e como devem tratar cada um, como são nossos cantos que falam da natureza. Mas temos cada vez mais encontrado dificuldades para fazer as grandes festas que envolvem toda a comunidade” (Joel Martins, Pykopjê).
KRAHÔ
Localização: Tocantins
População estimada: 2.500 Pessoas
Os Krahô são um dos povos que compõem a Família Timbira. Seus primeiros contatos com os colonizadores se deram em finais do século XVII no estado do Maranhão. Pressionados, migraram Tocantins acima, indo habitar no local onde atualmente se ergue a cidade de Pedro Afonso-TO. Novamente pressionados, iniciaram nova migração, dessa vez em direção à região de origem. Em 1940 sofreram violento masacre, tendo ogoverno demarcado suas atuais terras, nos municípios de Itacajá e Goiatins, no estado do Tocantins. Continuam preservando sua elaborada organização social e seus rituais.
KAYAPÓ – MEBENGOKRÉ
Localização: Pará – Mato - Grosso
População estimada: 6.500 pessoas
Os Kayapó vivem em aldeias dispersas ao longo do curso superior dos rios Iriri, Bacajá, Fresco e de outros afluentes do caudaloso rio Xingu, desenhando no Brasil Central um território quase tão grande quanto a Áustria, praticamente recoberto pela floresta equatorial, com exceção da porção oriental, preenchida por algumas áreas de cerrado. Sua cosmologia, vida ritual e organização social são extremamente ricas e complexas; assim como são intensas e ambivalentes as relações com a sociedade nacional e com ambientalistas do mundo todo.
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GAVIÃO – PARAGATÊJÊ
Localização: Pará
População estimada: 500 Pessoas
Depois de uma traumática "pacificação", ocorrida na década de 1970, na qual perderam 70% da população, os Gaviões venceram a crise populacional e reconstruíram seu modo de vida. A aldeia Kaikoturé, erguida em 1984, traduz em sua concepção o projeto de futuro dos Parkatêjê: reproduzindo o desenho circular tradicional das aldeias timbira, possui casas de alvenaria servidas por rede de água, luz e esgoto.
Nos seus dois séculos de contato com os brancos, os Krahô têm vivido reviravoltas e inversões de situação: ora aliados dos fazendeiros, ora por estes massacrados em 1940; nos anos 50 seguiram um profeta que prometia transformá-los em civilizados e em 1986 empenharam-se em uma reivindicação que implicava justamente no oposto, na sua afirmação étnica: foram em 1986 ao Museu Paulista, em busca da recuperação do machado semilunar, caro a suas tradições. Assíduos viajantes às grandes cidades, cujas ruas e autoridades conhecem melhor que os sertanejos que os cercam, com freqüência telefonam a seus esquivos amigos urbanos a pedir miçangas, tecidos e reses para abate, indispensáveis à execução de seus ritos.
KRINKATI
Localização: Maranhão
População estimada: 700 pessoas
Os Krĩkati tiveram suas terras invadidas por fazendas de gado desde o século XIX e só tiveram seus direitos territoriais plenamente reconhecidos pelo Estado brasileiro em 2004, depois de décadas de conflitos. Hoje procuram dar curso ao seu modo de vida e visão de mundo característicos dos povos Timbira que habitam essa região.
Os 250 anos de contato dos Xerente com não-indígenas não afetaram sua identidade étnica. As rápidas e intensas transformações sociais, políticas e econômicas que atingem a região na qual residem têm proporcionado a esse povo, não sem dificuldades, uma participação ativa nos processos decisórios que os envolvem. No olho do furacão do desenvolvimento econômico do Estado do Tocantins, os Xerente continuam a expressar, por outras vias, o que possuem de mais tradicional: seu ethos guerreiro.]
Os kayapó contribuiram com qual costume para a cultura brasileira?
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